Uma Breve História do Chiado

A meu ver, o Chiado está para Lisboa como Ipanema está para o Rio de Janeiro.

Pelo que pude apurar existem algumas suposições para a origem do nome Chiado. Teria vindo de um apelido de um senhor Gaspar Dias, taberneiro da área no século XVII, ou também do apelido de um frade de nome Antonio Ribeiro que seria frequentador da tal taberna, ou ainda do barulho das pessoas que frequentavam a taberna. Certo é que o nome pegou.

Durante o século XVIII era uma região de palacetes de fidalgos. Há um com história especialmente interessante e que podemos visitar.

Falo do Palácio do Chiado, que fica na Rua do Alecrim, onde nasceu Joaquim Pedro Quintela, segundo Barão de Quintela e segundo Conde de Farrobo.

Esse Farrobo era conhecido por patrocinar festas extravagantes, donde surgiu a expressão “farrobodó”, que por certo chegou até o Brasil como nosso forrobodó!

Em 1807, com a invasão francesa o General Junot, que foi condecorado por Napoleão como Duque de Abrantes, (terra dos meus cunhados!!! Que inclusive já falei um pouco no primeiro post) estabelece seu QG e residência oficial justo no palácio.

Em 1874 o palácio é comprado por Francisco Augusto Mendes Monteiro, pai de Antonio Augusto Carvalho Monteiro, que também constrói a Quinta da Regaleira em Sintra. Esse Antonio Augusto era carioca!!! Mas foi bem pequeno para Portugal.

Hoje o palácio é um lugar de “restauração”, como em Portugal se fala da atividade dos restaurantes. Agora então podemos conhecer suas belas salas por onde passou a realeza, franceses, ingleses, magnatas, e agora nós!

Em 25 de agosto de 1988 um terrível incêndio, que se iniciou nos Armazéns Grandella, destruiu uma importante parte do Chiado. Os bombeiros não conseguiram chegar próximo o suficiente ao foco do incêndio e o fogo se espalhou para os edifícios próximos na Rua Garrett. Muitos edifícios do século XVIII foram destruídos, inclusive os Grandes Armazéns do Chiado, que foram reconstruídos e hoje abrigam um simpático shopping onde se encontra a FNAC do Chiado.

A remoção dos escombros perdurou por mais de mês e a tarefa de restauração dos prédios contou com o trabalho do arquiteto português Álvaro Siza Vieira, da escola do Porto.

Este mesmo arquiteto, é responsável pelo projeto da Fundação Iberê Camargo em Porto Alegre no Brasil.

A estação do metrô que leva ao Chiado é a Baixa-Chiado. As linhas azul e verde têm paragem lá. De um lado há saída para a Baixa, de onde se vai para a Praça do Comércio, por exemplo. Já do outro lado, subindo uma série de escadas rolantes, chega-se ao Largo do Chiado, quase em frente à Brasileira, onde sempre tem algum artista de rua se apresentando. As escadas do metrô são um bom atalho para se subir a colina do Chiado.

Enfim, isso tudo é para dizer que o Chiado é uma zona protegida, como tantas outras em Lisboa, e nada pode ser construído sem a aprovação do patrimônio histórico.

Passear pelo Chiado e fazer suas próprias descobertas é encantamento garantido.

Escrevo a seguir as minhas paradas preferidas nos meus passeios.

1. Café A Brasileira

É também no Chiado, na Rua Garret número 120-122 que se encontra o café A Brasileira, ponto turístico famoso, que lembra a Confeitaria Colombo no Rio de Janeiro, apenas em menores proporções e onde em frente está a estátua de Fernando Pessoa, com uma cadeira vazia esperando a horda de turistas que sentam para tirar uma foto com o poeta.

O café foi inaugurado em 1905 como um estabelecimento que servia o café genuíno do Brasil. Tornou-se um local para encontro de intelectuais e artistas, e acabou por se tornar um museu de arte moderna, através da exposição de obras de pintores portugueses.

cafe a brasileira

2. Livraria Bertrand

Na rua Garrett se localiza também a Livraria Bertrand, que segundo a edição de 2011 do Livro dos Recordes Guiness,  é a livraria mais antiga do mundo ainda em funcionamento. Foi fundada em 1732. Uma visita vale a pena, já que “tudo vale apena se a alma não é pequena”.

livraria bertrand

3. Elevador de Santa Justa

Elevador da Santa Justa

Outro ícone do Chiado é o elevador de Santa Justa, que liga a baixa ao largo do Carmo. Inaugurado em 1902 foi concebido pelo engenheiro Raoul Mesnier du Ponsard, que dizem, teria ligações não comprovadas com Eiffel. Certo porém que a técnica utilizada na construção era similar à concepção francesa da época, característica da empresa Eiffel.

A fila para subir no elevador é sempre grande, assim como a fila para comprar o ticket. Além disso não se pode dizer que o ingresso seja barato, custa €5,15 e dá direito a duas viagens. Mas o ticket da empresa Carris, de um dia, que se compra nos quiosques, vale para quase todos os transportes em Lisboa – metro, ônibus, elétricos e elevadores, inclusive o da Santa Justa €6,15. Se você tem poucos dias para conhecer Lisboa, esse bilhete é uma boa aquisição.

Horário de Funcionamento:

Horário de Verão (13, 14, 15 de abril e de maio a outubro): 7h30 – 23h (todos os dias)

Horário de Inverno (novembro a abril): 7h30 – 21h (todos os dias)

4. Luvaria Ulisses

Preciso falar ainda de uma pequena loja, a luvaria Ulisses, que fica na Ladeira do Carmo 87-A. A loja afirma ser a última em Portugal dedicada exclusivamente à venda de luvas. É uma loja minúscula cuja decoração ainda é original. Uma pérola!

luvraria ulisses

5. Livraria Sá da Costa

Livraria Sá da Costa na Rua Garrett 100-102, esquina com Serpa Pinto. É uma livraria centenária que viveu tempos difíceis chegando a declarar insolvência em 2013, ano de seu centenário.

Os funcionários muito lastimaram a situação que quase levou a livraria a fazer parte de uma “Lisboa desaparecida”. Para nossa sorte, a atividade da livraria foi mantida por outros administradores e todo o seu mobiliário único mantido.

Podemos viajar nas suas salas que exibem mapas, livros raros, objetos únicos, num verdadeiro portal do tempo. Um sonho!

livraria sa da costa

 

5 comentários Adicione o seu

  1. Meguie disse:

    Ameeeeeeeiiiiiii❤️❤️❤️❤️❤️❤️🌼

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  2. Eduardo disse:

    Muito bem redigido!! Parecia que estava em Lisboa!!!

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