Sintra – Parte II

De volta à estação, agora seguiremos a rota do 435.

Vamos para os séculos XIX e XX.

Primeira Paragem: Quinta da Regaleira!

A Quinta possuiu alguns proprietários antes de ser comprada por Ermelinda Allen de Almeida, do Porto, que veio a se tornar a primeira Baronesa da Regaleira.

Em 1892, Antônio Augusto Carvalho Monteiro, aquele que era dono do Palácio do Chiado em Lisboa, compra a Quinta por 25 contos de réis.

Quinta da RegaleiraEsse Antônio Monteiro era brasileiro de pais portugueses, estudou Direito em Coimbra, e era conhecido como Monteiro dos Milhões devido a sua fortuna obtida com o café e pedras preciosas do Brasil. Era conservador, monárquico, místico e supostamente maçon.

Para construir a Quinta da Regaleira, em estilo neo manoelino, Monteiro dos Milhões contratou Luigi Manini, o mesmo arquiteto do Teatro de São Carlos, em Lisboa, e do Scala de Milão. Uma curiosidade é que a mesma chave abria a porta da Quinta da Regaleira, do Palácio do Chiado, que mencionamos no post Uma breve História do Chiado, e de seu jazigo no cemitério dos Prazeres em Lisboa.

A primeira vez que estivemos na Regaleira, as crianças eram pequenas. Ficamos todos maravilhados.

Fomos conhecendo cada canto da casa até chegarmos à biblioteca, muito escura e com um detalhe que nos pregou uma peça. O chão era emoldurado por espelhos e parecia ser de vidro, o que causava a impressão de estar suspenso e que os livros continuavam em estantes infinitas.

Não sei se estávamos envolvidos pelos ares e mistérios de Sintra, fato é que ficamos temerosos de dar o primeiro passo.

Então, nossa filha Flora, com uns 8 anos à época, foi a primeira a caminhar no piso ”suspenso”, que claro não tinha perigo algum, mas até hoje ela fala que deixamos ela ser a “cobaia” para caminhar num piso flutuante. Mais uma “culpa” para minha lista de mãe.

Parece uma bobagem contado agora. Tempos depois voltamos à biblioteca e claro, não houve a mesma impressão, mas a sensação que vivemos naquela primeira vez ficou para sempre em nossa memória afetiva. Foi uma aventura familiar.

Além da casa em si, a Regaleira tem o seu jardim. Antônio Augusto Carvalho Monteiro, planejou o jardim como um caminho de iniciação e autoconhecimento.

O jardim possui trilhas, atalhos, lagos, grutas, fontes e o que mais nos impressionou, um poço iniciático. O poço é uma “torre invertida” de 27 metros de profundidade que podemos descer em escada espiral estreita, de 9 patamares com quinze degraus entre cada um, numa alusão aos 9 círculos do inferno da Divina Comédia de Dante, até chegarmos ao fundo e encontrarmos o caminho para o paraíso.

Jardim da Quinta da Regaleira

Esse caminho requer passar por túneis escuros e grutas, até que atingimos a luz, num dos belos lagos do jardim.

O jardim possui outros pontos de interesse e a Quinta oferece um mapa para os visitantes, mas a caminhada requer disposição.

De volta ao 435, seguimos o passeio para a próxima paragem.

Segunda Paragem: Palácio de Seteais

O Palácio de Seteais, hoje, um hotel de luxo, mas onde podemos caminhar pelo jardim e tirar uma foto muito linda do palácio da Pena entre os arcos que ligam as construções do Seteais.

O Palácio de Seteais pertenceu ao Marquês de Marialva, que lá recebeu D. João VI e Carlota Joaquina. Esta última comprou o Palácio do Ramalhão em Sintra.

Palácio de Pena visto do Palácio Seteais

Continuando o passeio do 435.

Terceira Paragem: Quinta de Monserrate.

Essa para mim, é outra maravilha! É um palacete em estilo oriental que pertenceu a ingleses que veraneavam por lá no século XIX, sendo o último, Francis Cook, colecionador de arte.

Os jardins de Monserrate também são dignos de nota, especialmente o roseiral.

Na segunda metade do século XIX as rosas eram especialmente apreciadas e em Sintra podiam ser cultivadas ao ar livre, ao contrário da Inglaterra. O aroma no jardim é divinal.

O roseiral de Monserrate começou a ser restaurado a em 2008 e reinaugurado pelo príncipe de Gales e pela duquesa da Cornualha em 2011.

Quinta de Monserrate

De Monserrate voltamos para o centro de Sintra

Pois bem, Sintra é uma vila que encantou poetas e pintores.

No século XIX Lord Byron, poeta inglês, escreveu em correspondência a um amigo dizendo que “a Vila de Sintra é talvez a mais bonita do mundo”.

Outros poetas e pintores amavam o lugar e também Glauber Rocha se rendeu a seus encantos em 1981, após o Festival de Veneza.

Eu não me canso de visitar Sintra e cada vez que vou, descubro algum detalhe novo.

Depois desses passeios todos, um lanche faz bem ao espírito! Vale então degustar os famosos travesseiros de Sintra. Doces folhados com recheio de ovos e amêndoas e açúcar, que combinam perfeitamente com um café ou um Porto.

Numa das viagens que fizemos com um grupo de amigos, saímos de Sintra e descemos a serra até chegar em Cascais. Esse é um “combo” clássico dos carros que levam os turistas às cidades próximas – Sintra/Cascais.

Uma vez fizemos a descida de ônibus local mesmo, mas juro que não me lembro o número do ônibus. Mas seguramente se perguntarem a qualquer pessoa da cidade, serão muito bem atendidos e informados. Do contrário, voltem à estação e desçam a serra de comboio até a Estação do Rossio, mas não deixem de visitar Sintra.

3 comentários Adicione o seu

  1. Claudia disse:

    Adorei as dicas.
    Apesar de já ter visitado Sintra por duas vezes, não conheci estas maravilhas.

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  2. Ana Paula Severiano disse:

    A Violeta é a Brasileira mais Portuguesa que conheço.
    Partilha e escreve com conhecimento e muito Amor que se transformam em Felicidade ,a dela e a nossa ,por descobrirmos que o nosso Portugal é mesmo um País com lugares e pessoas maravilhosas que merecem ser vivenciados .Muito Obrigada.

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