Pé Na Estrada – Ponte da Barca e Lindoso

Numa quinta-feira de folga de minha filha, que está estudando no Porto, voltamos à estrada pelo norte. Voltamos ao Gerês.

Fomos pela A3 até o km 78 e de lá pegamos a direção de Ponte da Barca pela IC28.

Fomos revendo um pouco do caminho para Soajo, mas fomos além.

Rumamos para Lindoso.

Dessa vez reparei numa cidadezinha no caminho que se chamava “Entre ambos os rios”. Adorei o nome, mas não paramos!

A cidade fica entre os rios Froufe e Tamente, Entre ambos os rios, pois. A toponímia de Portugal, para mim, é caso de um delicioso estudo.

Mas voltando ao passeio, chegamos em Lindoso, uma pequena aldeia, com muitos sabugueiros, um pelourinho e um castelo muito bonito do tempo de D. Afonso III.

Lindoso

O castelo, medieval, tinha função exclusiva de fortificação e era estratégico em relação às contendas com a Espanha, logo ali ao lado. Especialmente no século XVII na época da guerra da restauração, quando Portugal voltou a possuir um rei português e não mais espanhol.

Em Lindoso visitamos uma outra “porta” do Parque do Gerês, e aqui tenho que fazer muitas considerações em virtude de nossa primeira experiência, que você pode ler aqui, no Parque, na “porta” do Mézio.

Maquete Parque Nacional Peneda Geres

Dessa vez fomos muito bem recebidos por dois jovens senhores, Nuno Pousada e Valentino Rodrigues, que foram pacientes e didáticos conosco e, em virtude do que aprendemos com eles, tenho que fazer uma correção.

Me refiro à menção das “portas” do Parque.

Perguntei aos dois que, sendo o lugar uma porta, pressupunha que por ali entrávamos no parque e afinal queria saber onde era a tal porta.

Pois bem, não se trata de porta em que entramos e saímos.

Sempre estivemos no Parque.

Porta é o nome que os portugueses escolheram para denominar os centros de visitação e interpretação do parque.  Existem cinco delas.

O Parque possui área de 69.596 hectares e abrange 22 freguesias distribuídas pelos Concelhos de Melgaço, Arcos de Valdevez, Ponte da Barca, Terras de Bouro e Montalegre.

Freguesias, como nos foi explicado, antigamente se chamavam paróquias, ou seja, cada uma tem sua igreja e são ajuntamentos menores que pertencem a um determinado Concelho.

E aí vai uma dica importante: existem lugares diversos em Portugal que possuem o mesmo nome, mas são locais diversos, pertencentes a Concelhos igualmente diversos.

Um caso típico é Ermida.

Nuno e Valentino nos contaram que é muito comum no verão chegarem turistas em Lindoso perguntando como fazem para ir para a “Cachoeira do Taití”, nome que esses turistas dão para as cascatas de Fecha de Barjas, que fica em Ermida, mas na Ermida do Concelho de Terras de Bouro.

Ocorre que o GPS dos carros não distingue necessariamente uma Ermida da outra, e recorridamente a turistéia chega em Lindoso procurando a Ermida errada, distante dali.

Nuno Pousada é biólogo e nos contou sobre a diversidade da flora do parque.

Aqui vai sua dica: nos meses de julho e agosto o parque está repleto de turistas aproveitando a natureza e o calor para mergulhos nas águas límpidas dos rios e cachoeiras. Mas é em abril e maio, na alta primavera que o parque é mais exuberante, pois é a época da floração e as montanhas ficam coloridas com todas as flores.

Maio, me aguarde! Alguém alinha?

LindosoSeguindo um pouco adiante , nos embrenhando pela aldeia de Lindoso, fomos de carro por uma ruela muito estreita. Tão estreita que a minha impressão era de que nunca mais conseguiríamos dar meia volta. É um caminho lindo para se fazer à pé.

Passamos pelas casas de pedra tradicionais, com a lavanderia comunitária aproveitando o riacho , até chegarmos ao fim, onde então havia espaço para a manobra e nosso retorno.

De Lindoso fomos para Ponde da Barca, o Concelho, onde almoçamos num belo restaurante à beira do rio.

Conhecemos a ponte da Barca em si, uma ponte medieval belíssima que, como nos foi dito, adquiriu esse nome pois antes de sua construção a travessia do rio era feita por barcas. Construída a ponte, todos se referiam a ela como a ponte que foi construída para substituir o uso da barca.

Ponte da Barca

E assim completamos nossa temporada nas vilas do Gerês.

Voltaremos ao parque na época da floração. Se não este ano, um ano desses.

 

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s