Pé Na Estrada – Melgaço

Ouvimos falar de Melgaço pela primeira vez através dos vinhos e depois por um amigo de longa data, o Ricardo Alves Del Castillo.

Ricardo foi fazer o caminho português de Santiago de Compostela. Uma aventura que ainda está na minha lista, pois Portugal também tem uma rota de peregrinos para Santiago. Muito linda e segura.

Fez a viagem com primos e na volta a Portugal, decidiu ir até Melgaço, a cidade de onde havia partido seu avô Lindolfo, rumo ao Brasil, onde chegou como clandestino em um navio em Belém em 1916, e uma tia avó, a Dona Mia, que também migrara em outra ocasião e vivia em Paraty, no Estado do Rio.

Ricardo chegou em Melgaço e entrou no centro de visitantes onde conheceu Cristina, a funcionária do lugar.

Conversa vai, conversa vem, Ricardo falou que seu avô era de Melgaço e que migrara para o Brasil. Mostrou umas fotos antigas que tinha arquivadas em seu celular.

Cristina reconheceu o lugar e disse que conhecia um sujeito que morava ali, o sr. Antonio. Pegou o telefone e falou:

“ó Antonio, tem aqui um brasileiro que tinha família aí. Podes vir cá?”

Bem, se não foi assim, foi parecido. Fato é que o tal homem se despachou de carro desde sua casa até o centro de turismo para falar com o Ricardo.

Ao ver as fotos disse:

“eu conheço essa casa. Ainda está lá.”

Foi o que bastou. Ricardo disse aos primos que o aguardavam, que poderiam seguir caminho se quisessem, mas ele iria mergulhar nessa outra viagem de voltar ao passado de seu avô. Foram então para Bouça Nova, no exato lugar da casa do retrato.

Quando lá chegaram, o simpático senhor mostrou a casa da foto, que possuía modificações do tempo, e disse que a família dos proprietários originais ainda vivia numa casa mais adiante.

Ricardo não teve dúvidas. Bateu na porta e foi atendido por uma senhora, a dona Conceição.

Ao ver dona Conceição, Ricardo caiu em prantos ali mesmo, quase matando de susto a senhora. Mas é que Dona Conceição, que tinha apenas 9 meses quando os irmãos partiram, era a cara “esculpida em carrara” da tia Mia, a tal que mora em Paraty.

Resumindo a ópera, Ricardo se apresentou e a família se reencontrou. Os familiares perderam contato com os anos. Pensavam que o avô Lindolfo tinha ido para a África e não para o Brasil, e lá morrido.

Hoje Ricardo refez os laços com o braço português de sua família. Até levou sua filha Lívia para conhecer os parentes uns anos mais tarde.

Mas e Melgaço?

Minha curiosidade e do João em conhecer o lugar de tão belo encontro, nos fez sair do Porto até lá. É um passeio para um dia inteiro. Seguimos de carro para o norte até Valença do Minho e então dobramos a leste em direção a Melgaço.

O centro histórico é uma graça. De pedra e flores.

Torre do Castelo de MelgaçoPossui ainda as ruínas do castelo com sua torre de menagem que podemos entrar e visitar.

Esse castelo era a principal defesa raiana do alto Minho, o que quer dizer que era a defesa de fronteira. Data de 1170, da época de D. Afonso Henriques e era por onde obrigatoriamente se fazia o trânsito entre Portugal e a Galiza.

Chegou a possuir foral e o direito de os cidadãos escolherem o alcaide do Castelo, direito esse retirado por D. Afonso III.

Já esteve sob o domínio castelhano, mas foi recuperado para Portugal por D. João I.

No século XV quando da expulsão dos judeus da Espanha, Melgaço era um dos cinco lugares de Portugal autorizados a receber os refugiados.

Desde 1910 o Castelo é considerado monumento nacional e sua torre, hoje, é um centro museológico que mostra a história do lugar desde tempos pré-históricos.

Também em Melgaço fica um inusitado museu, o Museu do Cinema. Seu acervo foi doado por Jean Loup Passek, que adorava Melgaço. Passek foi diretor do departamento cinematográfico do Centro Georges Pompidou em Paris e diretor do Festival de Cinema de La Rochelle, também na França.

Museu de cinema melgaço

O museu é uma viagem à parte!

O acervo possui modelos autênticos das primeiras máquinas de projeção, de cartazes de primeiras sessões de filmes e muito mais! Um presente de Passek à Melgaço.

Fica na Rua do Carvalho 4960-536
Tel (351) 251401575
Abre de abril a setembro das 10:00 às 13:00  – 14:00 às 18:00 e de outubro a março até às 17:00h
Fecha segunda- feira, 1 de janeiro, domingo de páscoa e 24 e 25 de dezembro.

Para finalizar o passeio, preciso falar de um dos melhores pratos de bacalhau que já comi em Portugal! Pois foi lá em Melgaço, na Adega do Sabino. Um pequeno restaurante em frente à praça da cidade.

Lá comemos um bacalhau com broa de milho dos deuses!

Bacalhau com broa de milho

Numa outra visita que fiz com minha filha e amigas também experimentamos o bacalhau à Sabino, que devo reconhecer que também é divino! E o atendimento do lugar não pode ser mais simpático. Minha escolha por lá!

RESTAURANTE SABINO

Outra atração de Melgaço são seus vinhos e termas, mas isso é assunto para outro dia!

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