Um Pulo Em Lisboa

Fui convocada, ou melhor, me ofereci para fazer um passeio como guia em Lisboa. O grupo era composto por minha irmã e três amigas que visitavam Portugal com mais vagar pela primeira vez.

Parti de trem da estação de Vila Nova de Gaia às 6:57h e às 10:10 cheguei na Estação de Santa Apolônia em Lisboa. Fui no trem intercidades, o que significa dizer que demora mais do que o trem Alfa.

O Alfa sai uns minutos mais cedo e chega um bocado antes, mas comprei minha passagem na promoção e portanto, por 29 euros ida e volta, o meu trem era parador. Mas não tinha pressa. Estava de férias.

Estação Santa Apolônia

Encontrei as meninas na própria estação e de lá iniciamos nossa caminhada. Minha sugestão, que seguimos com brilhante êxito, foi subirmos a colina do Castelo pela Alfama para depois descer pela Mouraria até o Largo do Intendente.

Alfama

Alfama é um bairro muito antigo de Lisboa e o nome de origem árabe, significa fontes ou banhos. Certo é que Alfama possuía muitos veios d’agua que, canalizados, se transformaram em fontes.

Começamos a subida pela Escadinha de São Miguel e seguimos até a Rua da Adiça. No caminho vimos um prédio que hoje está pintado de rosa velho com janelas verdes ainda do tempo do terremoto de 1755. Um dos poucos que ainda resiste. É fácil localizar o prédio, que é mais estreito no rés do chão e mais largo no andar superior. Construção típica que pretendia facilitar a passagem nas ruas estreitas e utilizar melhor os andares de cima.

Da Rua da Adiça dobramos à direita e seguimos até o Miradouro Portas do Sol, onde pudemos apreciar a primeira das maravilhosas vistas.

De lá tomamos o rumo da esquerda até as ruínas do teatro de Olisipo, o teatro romano, edificado em inícios do século I d. C. na cidade de Felicitas Iulia Olisipo, nome da Lisboa romana.

Na época de sua construção, o teatro em semi círculo podia ser avistado do rio.

O teatro foi descoberto em 1798 quando dos trabalhos de recuperação da cidade após o terremoto de 1755, mas não foi dada a devida importância e casas foram construídas sobre as ruínas, até que em 1964 trabalhos de escavação são iniciados, e levou a municipalidade a comprar as casas que se sobrepunham ao teatro para ampliar os trabalhos de escavação.

Os trabalhos arqueológicos prosseguiram e em 2001 foi criado um pequeno museu que percorremos em alguns minutos. Recomendo a visita.

Sé de LisboaDali continuamos nosso caminho, um pouco tortuoso, para atender a desejos das visitantes. Fomos então até a Sé de Lisboa onde visitamos o claustro.

A , em estilo românico, teve sua construção iniciada no século XII, após a conquista aos mouros e finalizada no século XIII. O claustro, em estilo gótico, é posterior. O terremoto de 1755 prejudicou muito a construção, que foi restaurada parcialmente. No claustro podemos ver escavações arqueológicas que mostram resquícios da cidade romana e muçulmana sobre as quais a Sé foi erguida.

 

Saindo da descemos um pouquinho mais até a Igreja de Santo Antonio, erguida  no local onde teria sido sua casa, pois Santo Antonio nasceu em Lisboa e iniciou seus estudos logo ali na Sé que acabáramos de visitar. Lá estudou o trivium e o quadrivium, o grupo de matérias estudado à época, indo depois completar seus estudos em São Vicente de Fora, um pouco mais adiante, mas ainda em Lisboa. Na igreja, compramos santinhos para todas as moças das famílias do grupo que ainda estão solteiras. Vai que…

Igreja de Santo Antonio Lisboa

Não se sabe ao certo o motivo para que Santo Antonio tenha adquirido a fama de santo casamenteiro, mas reza a lenda que é pelo fato de em seus discursos falar muito do amor, e ainda pelo fato de auxiliar as moças que queriam casar mas não possuíam dote, o que era uma condição imprescindível.

Após nosso pequeno tour pelos locais da vida de Santo Antonio, seguimos para o Castelo de São Jorge.

Castelo de São Jorge

É impressionante pensar que nesse castelo Vasco da Gama teve a audiência com o rei para comunicar a descoberta do caminho das Índias dobrando o Cabo da Boa Esperança!

Do castelo seguimos para a colina da Graça, um bairro operário onde, além da bela vista do miradouro, pudemos ver alguns imóveis construídos por empresas para a moradia de seus funcionários. Muito lindo!

Miradouro da Senhora do MonteChegamos ao topo de nossa caminhada, o miradouro de Nossa Senhora do Monte. Para mim a vista mais espetacular de Lisboa! De lá tem-se uma visão ímpar do castelo e então começamos a descer para o largo do Intendente passando pela Mouraria.

No caminho passamos pela vila da Estrela, outra construída para funcionários, e conversamos com um morador que nos contou sobre a sua infância.  Ele nos mostrou o lugar onde antes se encontrava uma “vacaria”, uma loja onde dentro se encontravam três vacas. Quando pequeno, ele ao voltar da escola, passava na vacaria e comprava uma garrafa de leite tirado na hora. Outro mundo!

No final de nossa descida chegamos ao largo do Intendente. Essa praça mudou muito de aspecto desde 2013 quando ali estive pela primeira vez, até nossa visita. Antes muito degradada, agora se vê rodeada de prédios restaurados, exemplo da recuperação econômica da cidade de Lisboa.

Lembro que quando compramos nosso apartamento no Chiado me imaginei comprando outro ali naquela região, pois a azulejaria é muito linda, os apartamentos muito espaçosos e muito mais baratos. Mas imagino que agora a sopa acabou. Lisboa está bem cara.

No Largo do Intendente encontra-se a loja da Viúva Lamego, fábrica tradicional de azulejos e a Vida Portuguesa, uma loja fantástica que vende produtos de marcas portuguesas com história e valor. A loja é uma reunião de produtos típicos maravilhosos. Ótimo local para comprar presentes de viagem.

Finalizamos nosso passeio na Cervejaria Ramiro, pois já estávamos com muita fome e merecendo o descanso para a “merenda”, como dizia Teresa, uma das amigas.

O Ramiro é um lugar com um certo ar de ‘Bar Lagoa”, no Rio de janeiro, onde os atendentes não te dão muita bola e o serviço é bem dinâmico. Escolhemos os crustáceos que queremos que então são pesados e preparados ao gosto do freguês. Um detalhe, no Ramiro só há mesmos crustáceos e pão. No máximo um prego no pão, um bife com pão. Ah! E também umas torradas amanteigadas muito gostosas. Mas é só. Nada de arroz, nada de salada, nada de batata. É o crustáceo na veia!

Nossa fome era muita e o camarão, muito bem preparado, foi harmonizado com um vinho Pera Manca branco na temperatura perfeita e preço justo.

Depois no almoço/ajantarado pegamos o metrô logo ali na Martim Moniz e nos despedimos. Voltei para a Santa Apolônia onde peguei o trem Alfa para Vila Nova de Gaia às 20:00h e as 23:45h estava de volta na estação onde o meu dia começou.

2 comentários Adicione o seu

  1. Teresa Cruz disse:

    O máximo! Adorei recordar os momentos super agradáveis que passamos juntas! Haja ladeira, haja pernas, mas com a Violeta como guia fica tudo muito interessante! Valeu a pena obrigada Violeta e companheiras foi um dia inesquecível!

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  2. Ana Paula Severiano disse:

    A minha Amiga Violeta está sempre a surpreender-me ..pela entrega ,partilha de conhecimentos,disponibilidade ,alegria do encontro.É mesmo única.
    Portugal e os portugueses ,como eu,agradecem do fundo do coração…ela …João e família terem-nos descoberto e conquistado com o vosso dinamismo insuperável

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