Começando a Conhecer o Porto

 O Porto foi toda uma nova descoberta!

Agora estávamos num apartamento T2, o que significa que tínhamos dois quartos.

O imóvel era um projeto do arquiteto Burmester, que a partir de um antigo depósito de vinho do Porto, construiu, por dentro, apartamentos modernos. A combinação do moderno com o antigo me arrebatou!

E nossa janela era o Douro!

E com ele os barcos rabelos, embarcações que em outras épocas transportavam as barricas de vinho do Porto do alto Douro vinhateiro para Gaia e de lá para a exportação, e que hoje em dia carregam turistas.

Barco Rabelo Porto

A região do Douro é a primeira região de dominação de origem controlada do mundo, por obra do Marquês de Pombal, cem anos antes da mesma medida para vinhos da França.

Região do Alto Douro

Devido aos conflitos entre Inglaterra e França e ao tratado de Methuen em 1703, também chamado de tratado de panos e vinhos, que estabeleceu acordos de comércio entre Portugal e Inglaterra, surgiram questões relativas ao controle da produção do vinho em Portugal.

O vinho, que apesar de ser produzido no alto Douro e estocado e envelhecido em Vila Nova de Gaia, ficou conhecido como Vinho do Porto, local de origem de sua exportação.

O Marquês regulamentou a produção do vinho demarcando a região geográfica e protegendo as castas típicas. Em que pese ter sido criticado à época, permitiu a melhoria da qualidade da produção do vinho do Porto.

Confesso que até nos “mudarmos para o Porto” não era uma apreciadora do tal vinho, mas me rendi às evidências ao conhecer melhor o produto e degustá-lo “como deve ser”.

Mas deixemos o vinho para mais tarde.

No Porto nos deparamos com um português falado mais difícil para nós brasileiros. É verdade, se os portuenses falam mais rápido, com naturalidade, é mais complicado para nós a compreensão.

Mas no Porto fizemos amigos portugueses muito mais rápido.

Os próprios portugueses nos falaram que os portuenses são mais fraternos e solidários.

Mas o mais impressionante para mim, foi ter descoberto no Porto as raízes da família do meu pai. Os Tinoco!

Através de pesquisas na hemeroteca da Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro, sabia que era uma família vinda do Porto, ou ao menos, do norte de Portugal.

Ao chegar ao Porto me deparei com muitos Tinocos! Perfumaria Tinoco, confeitaria “Tinocas”, e por aí vai.

Mas susto mesmo tive ao visitar o museu da Torre dos Clérigos no centro histórico do Porto.

Pois bem, lá tem o quadro de um clérigo de sobrenome Tinoco que é muito, mas muito parecido com meu pai.

Ao me deparar com o quadro levei um baita susto!

Tirei uma foto e enviei pelo celular para meus irmãos que também ficaram impressionados com as semelhanças.

Minha imaginação começou a se impor!

Passei a imaginar um primeiro familiar emigrando para o Brasil, sabe-se lá em que época, partindo da antiga Alfândega do Porto, que vejo da janela de meu quarto.

Antiga Alfândega do Porto

Fiquei imaginando o que estaria passando no coração desse parente. Que medos? Que esperanças?

Fiquei imaginando o que o antepassado desconhecido teria visto ao partir. Qual a última visão de sua terra antes de atravessar o oceano.

O Porto havia conquistado meu coração. Foi quase como uma volta às origens.

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