Caminhando Por Lisboa

É chegado o momento de começar a falar dela com mais vagar.

Lisboa, menina moça!

Lisboa arrebatou nossos corações desde o princípio.

O azul do céu de Lisboa é algo à parte! Sua luminosidade é inspiradora.

Uma vez encontrei um caderno que tinha estampado na capa as impressões de Simone de Beauvoir sobre a cidade, que reproduzo aqui, pois acho que ela descreveu bem:

“Uma cidade do sul, uma cidade ao mesmo tempo ardente e fresca que continha no horizonte a promessa do mar e do vento salgado varrendo-lhe as colinas”.

Lisboa é a cidade das sete colinas. Mas não era Roma a cidade das sete colinas? Como e quando foi que Lisboa “pegou emprestado” esse nome?

Existe uma lenda de que os próprios romanos encontraram semelhanças na topografia do lugar com Roma, mas os primeiros registros seguros vem do século XVII, tempo em que o Rei da Espanha era também rei de Portugal, em razão da morte de D. Sebastião que não deixou herdeiros.

Os lisboetas queriam a mudança da capital para tornar Lisboa o centro do Império unificado. Então a cidade patrocinou a vinda do rei para uma temporada de festejos, todos pagos pela população, que apresentou Lisboa como a “nova Roma”.

O rei participou de todos os festejos, recebeu o valor prometido pelos portugueses pela sua vinda, mas voltou para Madri.

Lisboa ficou com as despesas e sem o rei, mas para sempre se tornou a cidade das sete colinas.

A cidade começou na colina do Castelo.

Colina do Castelo

Foi romana, foi árabe e só em 1147 se torna cristã, com o cerco de Lisboa comandado por Dom Afonso Henriques, que parte de Santarém incentivado pela possível ajuda dos cruzados da segunda cruzada.

É então em Lisboa que começo a nossa “caminhada virtual”, da mesma forma como tantas vezes começávamos nossos passeios, subindo os últimos degraus da Calçada do Duque até o largo Trindade Coelho, onde se encontra a Igreja de São Roque.

A igreja é a primeira igreja jesuíta de Lisboa e sobreviveu ao terremoto de 1755, o que permite vermos trabalhos de arte dos séculos XVI, XVII e XVIII em suas capelas laterais e no teto.

Foi construída em uma única nave, no modelo igreja-salão, no lugar onde antes se encontrava uma pequena hermida construída pela população junto ao cemitério onde eram enterradas as vítimas da peste.

Em 1506, D. Manoel I encomenda de Veneza uma relíquia de São Roque a ser colocada na hermida para proteção à população de Lisboa contra a peste, pois sabia-se que São Roque era especial para enfrentar o problema.

Mais tarde, os jesuítas, após convidados por D. João III, tomam posse do lugar e erguem a igreja que veio a servir de modelo arquitetônico para as igrejas jesuítas em todo Portugal, Brasil e Oriente.

Perto do Natal acontece uma apresentação de coro na Igreja que sempre tentamos ir, mas nunca conseguimos. Os ensaios são abertos e o grande dia depende de convite junto a Santa Casa da Misericórdia, mas nunca descobrimos o lugar para retirar os tais convites.

Saindo da igreja, continuamos em direção ao “nosso quintal”, que era como chamávamos o Miradouro Pedro de Alcântara.

Miradouro de São Pedro de Alcântara

Ainda tenho viva na memória a alegria de chegar do aeroporto vindo pelo Príncipe Real e avistar o miradouro. Era a sensação de chegar em casa! Era também o sentimento de espiar num último relance a cidade quando a caminho de volta para o Rio de Janeiro, de suspirar fundo e desejar que o próximo retorno chegasse logo.

Desse miradouro tem-se uma das vistas mais lindas de Lisboa, embora Lisboa seja rica em vistas lindas!

Sentar nas espreguiçadeiras de seu quiosque com uma manta para espantar o frio e beber um vinho bem de vagar, falando da vida ou não falando nada, era um de nossos passatempos favoritos. Recomendo fervorosamente a experiência! Perder, ou ganhar tempo, sentando com calma num dos quiosques lisboetas e deixar o pensamento ir longe…

Seguindo a ladeira em direção ao Príncipe Real, vamos pra o Largo do Rato.

No caminho passamos em frente ao Museu de História Natural, e caminhamos por calçadas de mármore cor de rosa! Você conhece alguma outra cidade com calçadas de mármore cor de rosa?

Seguindo adiante e dobrando à direita na Rua do Salitre e Barata Salgueiro, vamos descendo em direção à Avenida Liberdade. No caminho, na Rua Mouzinho da Siveira, encontra-se um pequeno museu que preciso compartilhar.

É a Casa Museu Medeiros de Almeida.

A mansão, para ser mais exata, começou a ser construída em 1896 e passou por mais de um proprietário e sofreu modificações até que foi comprada em 1943 por Antonio Medeiros de Almeida, de família açoriana.

Esse senhor, foi um empreendedor e industrial que chegou a dirigir 21 empresas, todas de muito sucesso. Foi um dos fundadores da TAP.

Durante a segunda guerra exportava material importante para a indústria bélica e através de sua empresa marítima, ajudava famílias de judeus em fuga da Europa.

Foi condecorado por Jorge VI como Honorary Officer of the Most Excellent Order of The Bristish Empire, o que não sei bem dizer o que significa, mas parece pomposo!

Como não deixou descendentes, Antonio Medeiros de Almeida transformou sua casa e sua coleção neste museu, recheado de peças interessantíssimas colecionadas durante o período da guerra, quando a venda de todo o tipo de objetos era farta.

A princesa Grace de Mônaco e o Príncipe Rainier foram convidados do sr. Medeiros. A mesa, o cardápio e os planos do jantar estão expostos no museu.

A graça do museu é ser uma casa, e a exposição é leve, como se visitássemos a casa de um amigo pela primeira vez. A coleção de relógios tem destaque.

Enfim, o museu é sem dúvida um de meus preferidos em Lisboa. Não é uma visita típica, mas se há tempo, é um lugar a não perder.

Depois do museu, continuamos o passeio até a Liberdade, onde podemos descer mais um pouco em direção ao rio Tejo e comer no delicioso e simpático restaurante Ribadouro.

Camarão Tigre - Restaurante Ribadouro

Certa vez estivemos lá com as crianças e provamos e aprendemos a fazer o camarão ao brás. Onde é que se vai a um restaurante e te ensinam a cozinhar o prato que te servem? Só o orgulho e a generosidade dos portugueses pela sua comida explicam momentos como esse.

Depois do almoço, é tomar o rumo de volta e subir a colina de volta para a Calçada do Duque, quem sabe com alguma ajuda do elevador da Glória, que nos deixa ao pé do Miradouro Pedro de Alcântara, onde começamos nossa jornada.

2 comentários Adicione o seu

  1. É uma delícia fazer esse passeio por Lisboa descobrindo recantos inusitados. Obrigada Patrícia V T

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  2. Maria Patrícia Tinoco disse:

    Da vontade de ir imediatamente para Lisboa!

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