Caminhando Pelo Porto

Nessa temporada voltamos ao Porto para os festejos de São João e São Pedro.

Para começar os passeios, saímos de casa para uma boa caminhada. Partimos do Cais da Fontinha e caminhamos pelo passadiço até o Cais de Gaia, onde pegamos um barco para fazer a travessia do rio, só para variar da tradicional caminhada pela ponte.

Museu Casa do InfanteJá na Ribeira, subimos a Rua da Alfândega e fomos conhecer o Museu Casa do Infante, onde fomos recebidos pelos simpáticos Anabela e João.

Neste importante museu da cidade é possível ver vestígios da ocupação romana dos séculos IV e V.

Lá funcionou a alfândega régia, criada por D. Afonso IV em 1325, quando disputava a posse das terras ribeirinhas com um bispo da igreja. Em 1369 também funcionou lá a casa da moeda do reino de Portugal no Porto.

Foi lá também que nasceu o Infante Dom Henrique, filho de D. João I e Dona Felipa de Lencastre, que anos mais tarde incentivou as navegações portuguesas e recebeu de seu irmão e rei D. Duarte, o direito de explorar além do cabo Bojador, que foi primeiro ultrapassado por Gil Eanes em 1434, e o direito de receber parte dos proveitos comerciais.

Bojador, do árabe Bujadur, é um cabo da costa do Saara ocidental, conhecido como cabo do medo. Vencer os seus perigos derrubou velhos mitos medievais e abriu caminho para os descobrimentos portugueses.

É do Bojador que Pessoa fala no poema “Mar Português”

       “Ó mar salgado, quanto do teu sal

       São lágrimas de Portugal!

       Por te cruzarmos, quantas mães choraram

       Quantos filhos em vão rezaram

       Quantas noivas ficaram por casar

       Para que fosses nosso, ó mar!

 

       Valeu a pena? Tudo vale a pena

       Se a alma não é pequena

       Quem quer passar do Bojador

       Te que passar além da dor

       Deus ao mar o perigo e o abismo deu

       Mas nele é que espelhou o céu.”

Sem dúvida os portugueses deram “mundos ao mundo” com as navegações e muito das navegações foram incentivadas por D. Henrique, que era grão-mestre da Ordem de Cristo, a ordem templária de Portugal.

Mas qual não foi minha surpresa ao saber que naquele edifício morou e trabalhou como Mestre da Balança o “nosso” conhecido Pero Vaz de Caminha, que acompanhou a esquadra de Pedro Alvares Cabral em 1500 e que escreveu ao rei contando o “achamento”.

Mas o museu ainda nos reservava outras belas surpresas, entre elas a maquete da cidade do Porto com todas as explicações que um visitante atento pode desejar. E muitos objetos: moedas, documentos e uma vitrine que fica ali discreta e, como num filme de Harry Potter, se enfeita de flores no vidro, chamando a atenção do visitante como se dissesse: “olhe para mim! Venha ver o que tenho para te mostrar!” Linda, linda! Um efeito poético que traz graça ao museu.

O museu é para mim uma parada encantadora durante uma caminhada pelo Porto.

A casa do Infante funciona de terça à domingo de 9:30 às 13:00h e de 14:00h às 17:30h. Não funciona nem segundas, nem feriados. A entrada é gratuita nos finais de semana e nos dias úteis o ingresso custa €2,20.
Fica na Rua da Alfândega 10. Tel. (351) 222060423

Continuando nossa caminhada, fomos visitar o Palácio da Bolsa, outra visita imperdível.

Palácio da Bolsa, Porto

Construído em estilo neo-clássico, começou a ser erguido em 1842 num terreno doado para este fim pela rainha D. Maria II.

Antes o terreno abrigava o Convento de São Francisco, que ainda podemos ver na maquete da Casa do Infante. Mas em 1832, no cerco do Porto, quando tropas liberais lideradas por nosso D. Pedro I, que para eles é D. Pedro IV, foram sitiadas por tropas realistas, fiéis a D. Miguel, foi incendiado e do incêndio só sobrou a igreja ao lado.

Durante 10 anos a Associação Comercial recebeu receita extraordinária sobre os produtos que circulavam pela Alfândega do Porto para custear a construção, que ocorreu ao longo de 70 anos.

Com a instauração da República em 1910, o prédio passa a ser patrimônio público, porém, durante o consulado de Sidônio Paes, o prédio retorna à propriedade da Associação Comercial.

Antes da construção deste palácio, os comerciantes do Porto realizavam as negociações na rua, especificamente na Rua dos Ingleses.

O palácio impressiona! Só sua escadaria de granito entalhado à mão levou mais de 40 anos para ser terminada.

Os lustres de bronze são outra beleza à parte.

Palácio da Bolsa, Porto

Conduzidos pela guia do palácio, somos levados por salas maravilhosas, muitas delas com decoração feita em gesso pintado com a técnica de trompe l’oeil, que nos faz pensar que estamos vendo madeiras, mármores e até bronze.

O percurso inclui a sala do Tribunal do Comércio com bancadas talhadas em carvalho francês, como nas barricas dos melhores vinhos, onde antes eram resolvidos os litígios entre comerciantes.

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Quase no final da visita entramos no salão árabe, estilo muito em voga no século XIX.

Palácio da Bolsa, Porto

No salão é possível perceber um “erro” de alinhamento da marchetaria do piso, detalhe proposital para lembrar ao visitante que apenas Deus faz obras perfeitas.

No inverno, nesse salão são realizados concertos organizados pela Casa da Música do Porto.

O salão levou 18 anos para ficar pronto e foi feito para impressionar os visitantes e negociantes. Pode ser alugado para eventos! Um luxo só!

O palácio se localiza na Rua Ferreira Borges e as visitas são guiadas e com hora marcada em idiomas específicos.
Tel: 223399000

Do palácio seguimos em direção à foz pela ribeira e visitamos um pequeno museu/atração chamado “World of Discoveries”.

Essa é uma visita muito bacana também. Boa para quem viaja com crianças.

É uma exposição interativa que de forma muito lúdica ensina sobre as navegações portuguesas, mostrando os instrumentos de navegação, as rotas, os navegadores, as embarcações e muito mais.

Há uma sala que nos leva a sentir através da decoração e dos sons, como seria estar numa caravela ao tempo dos descobrimentos.

A visita termina com um passeio de barco, tipo “it’s a small world” na Disney, mas o percurso é pela história e pelos descobrimentos portugueses. Tudo muito bem cuidado.

Seguimos então pela ribeira até o ponto de embarque do “menino do Douro”, onde pegamos nosso barco para a Afurada, do outro lado do rio. De lá para casa, com os pés latejando de tanto caminhar! Prontos para abrir uma boa garrafa de vinho do Douro e descansar!

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